Chegou o momento que há tantos anos esperava. A minha oportunidade. A possibilidade de dar à minha vida o rumo que sonhei. Não pensei no entanto que fosse tão difícil querer partir. As âncoras são mais do que parecem à partida. A simples forma como a luz do pôr-do-sol entra na minha sala faz-me querer ficar. Mas depois mergulho na minha vida e penso quero mais, que o que tenho não me chega, principalmente porque ficará assim durante muito tempo. E eu preciso de ir, de ar novo, de novos amanheceres. As saudades serão sempre imensas. Vou chorar e desesperar, desejar nunca ter saído do meu canto, lamentar as pessoas que deixei do outro lado do mar. Mas a minha voz de dentro diz-me pra ir e ela nunca se enganou, mesmo quando vai contra todas as marés. Só quando olho para ti ou penso em ti como se estivesses comigo é que tenho vontade de ficar. Mas como não é contigo que fico... Bastava uma palavra tua e eu perderia toda a coragem. Enquanto moras debaixo da minha pele penso em ficar. Nem imaginas quanto. Mas é só aí que existes. Não me pode prender, apenas me magoa em cada pensamento e recordação. Vais comigo e muitas lágrimas tentarão afogar as minhas saudades por ti. Ainda aqui estou e já sinto a tua falta. Mas tenho de ir. Adeus.
Saturday, April 29, 2006
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