Thursday, December 08, 2005

É segredo

Sofri a maior perda de todas. Perdi o que não cheguei a ter, o que apenas vislumbrei e me foi tirado cedo demais.
Perdi os passeios na praia de mãos entrelaçadas, os dias de chuva enrolados no edredon, as noites de verão transpiradas a dois.
O sol pôs-se antes que o dia nascesse, a lua levantou-se antes que o sol adormecesse, a chuva caiu antes do trovão.
O tempo tornou-se diferente, como um continum de sofrimento, de dor, sem fins de semana. As tuas recordações tapam-me o sol e não me deixam respirar. Estou a sufocar aos poucos e não me apetece respirar fundo. Quero-me afogar lentamente nas lágrimas que escorrem para dentro de mim.
Não te cheguei a ter e já me deixaste. Não chegámos a tornar os dias de cada um melhores, a nos abraçarmos ao fim do dia, a passar uma noite inteira juntos e custar-nos a separar na manhã seguinte.
Não sei como isto aconteceu. Amo-te. Ninguém sabe, é segredo. Ficará comigo até eu o conseguir matar. Não contes a ninguém. Sscchhiu...

Thursday, December 01, 2005

Água vai...e não vem

Nestes dias de chuva tem-se mais saudades de quem se ama. Cada gota que cai é um pensamento a mais num chão já tão molhado. E enquanto nos podemos proteger da água, nada podemos fazer quanto ao que vem de dentro e teima em não sair, ficando a humedecer cada pestanejar. Tudo fica escorregadio, à medida que quem amamos desliza para dentro de nós, sem termos hipótese de fecharmos a porta. Aos poucos , vamos nós próprios nos afogando num mar de recordações e momentos bons, sem nunca chegarmos ao fundo. Cada memória do outro é uma onda de sofrimento, que nos enrola, deixando-nos depois numa praia deserta, onde as nossas pegadas são a única companhia.