Saturday, November 12, 2005

Para trás das costas

Já o fiz no passado, mas volto a perguntar: como é que se esquece alguém de quem se gosta? Como é que de repente a pessoa que tornava cada pormenor do nosso dia melhor (ou menos mau) tem de deixar de existir? Alguém que influencia assim a nossa vida tem de deixar de o fazer? Simplesmente acordamos um dia e a presença certa e determinante é apagada? Há quem defenda que é um processo gradual, pois o tempo cura tudo ( se é assim deviam vendê-lo em farmácias). O tempo não cura nada. Porque a tudo o resto são adicionadas as saudades. Cada minuto que passa sentimos mais a falto do outro. Cada segundo respiramos um bocadinho menos. Não bastam as recordações dos momentos, dos cheiros, dos toques, mas as saudades disso tudo também. Qualquer pormenor do nosso dia nos transporta para um verdadeiro filme do passado. Será que existe algum truque? Mantermo-nos o mais ocupadas possível pode ajudar, até que estoiramos ( como eu hoje, de cama...). Fingir que nada aconteceu é impossível, porque o nosso album de fotografias não se rasga simplesmente. Colocarmos outra pessoa no seu lugar é sempre uma (boa) ideia, mas com resultados catastróficos a muito curto prazo. O que há então a fazer? Nada. Viver o futuro sem fingir que nada aconteceu. Reconhecê-lo e que correu mal e nada há a fazer. Ocuparmo-nos com as mesmas coisas de sempre (talvez um bocadinho de compras a mais) e sair com os amigos, que esses nunca deixam de nos ligar e inventam desculpas para isso. Tentar nos primeiros tempos fugir dos sítios e detalhes que nos lembram o que estamos a tentar esquecer. E depois é apenas viver a nossa vida, como ela tem sido até agora. Melhores dias virão. Novos amores e paixões. Por enquanto temos de nos contentar com o de sempre mas também o primeiro e mais importante de todos: nós.

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