Saturday, November 12, 2005

Os dois momentos

Existem dois momentos que me custam mais a ultrapassar, que foram vividos contigo de uma forma que a minha alma não consegue apagar.
O primeiro foi num dia já muito à noite, depois de um café tomado num sítio que prometia ser calma mas que acabou por ser tão barulhento que mal nos conseguíamos ouvir (deve ter sido aí que comunicámos pela primeira vez sem palavras). Estávamos sentados no carro e deitávamos conversa fora. Falávamos das coisas mais disparatadas e ríamos como duas crianças sem obrigações. Nem reparámos nas horas. Já me tinhas confessado que sentias vontade de me beijar e eu não sabia se o farias nessa noite... Lentamente, cada minuto que passava era menos um centímetro de distância entre nós. Quando nos apercebemos que eram 4h não estávamos mais longe que uma respiração.
O outro momento foi tempos depois, no sofá da minha sala, numa noite depois de um dia estafante de trabalho. Sentaste-te no canto mais distante e eu, sem dar por isso, fui-me chegando cada vez mais perto. Até que fiquei encostada a ti, enrolada em ti, com a minha cabeça a descaír no teu ombro. Sabia-me bem estar ali, assim, enroscada em ti. Conversávamos não sei de quê quando me calaste com a tua boca na minha. Até hoje, quando fecho os olhos sinto o nosso calor juntos, quando eu procurava o ninho dos teus braços. Talvez por isso me seja difícil sentar no mesmo sofá e deixe sempre livre o canto que tu ocupaste (por tão pouco tempo), onde estivemos os dois.

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