Saturday, October 29, 2005

Inesperadamente percebi...gosto de ti...
Sem me aperceber deslizaste para debaixo da minha pele e aí ficaste, silencioso. Não dei pela tua presença, pensei sinceramente que tinhas sido mais uma pedra que atirei ao lago e se afundou. Mas ao ver-te, ao sentir-te perto de mim, estremeci e fiquei com medo, muito medo. Apeteceu-me fechar os olhos para quando os abrisse tu não estares mais lá. Cerrei-os com força, mas de volta à luz tu estavas ainda mais ali. E estiveste durante a tarde toda, em que fui obrigada a sentir-te sem te poder tocar, sem te poder dar um mimo, sem te poder dizer que tenho sentido muito a tua falta, que te quero ao meu lado e que quero estar ao teu para o que for preciso. Quero dar. Tudo. E apenas receber-te. A ti. Mas tu já fugiste há muito tempo e decidiste não voltar.
A tarde doeu-me e nem a chuva que me molhou lavou-te da minha pele. Continuaste lá. Forte. Tocar-te teria sido mais que bom. Terias levado contigo um bocadinho de mim.
Adoro-te.

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Tuesday, October 25, 2005

Foram vinte e sete anos. De caminhos percorridos, de obstáculos ultrapassados, de batalhas ganhas e de objectivos atingidos. Mas ao enrolar-me sobre mim mesma esta noite, para disfarçar o frio e a ausência de alguém onde me aninhar, senti-me como no primeiro dia de mim. Senti-me perdida, sem saber qual o meu lugar e qual o meu mundo. Custava a respirar e os olhos só apeteciam estar fechados, para a alma permanecer no escuro e não ter de acordar para o resto. Apeteceu-me ficar ali, cabeça a tocar nos joelhos, fechando o círculo sobre mim mesma. Assim nada se perde e eu saberia sempre onde estar.