

Lanço-me ao mar nesta frágil barcaça,
entregando os meus desígnios nas mãos de Neptuno
Da praia olhei os azuis-
-Mar e Céu fundiam-se num só,
chamando para eles, como sua namorada eterna.
Olhei para a praia.
Agarrei com as mãos toda a dourada areia que consegui
e deixei-a escorrer lentamente por entre os meus dedos.
Tudo o que temos pode voltar ao que era,
ao seu verdadeiro dono.
Olho as gaivotas e vejo que também elas partem.
Igualmente abandonam a praia em busca de novas paragens.
Afinal, como filha da natureza, também eu sou uma nómada.
Também eu sou uma alma sem dono, descontente.
Busco sempre o melhor, para o momento.
Ninguém consegue ver o futuro.
Ao caminhar na areia, só os passos já dados é que podem ser vistos,
os por dar nem imaginados são.
Volto a olhar o Mar
Que forte atracção!
O desconhecido atrai-me como formiga para uma teia.
Não consigo resistir muito mais tempo...
Olho em volta...
Que mais me poderá esta praia dar?
Pouco mais de novo, apesar de bom e seguro.
Olho para o Mar:
- Que podes tu dar-me?
- Tudo!
- Mas o quê?
- Só o saberás à medida que fores navegando.
- É arriscado?
- Claro. Tens muito a perder, mas o que podes ganhar é bem mais do que possas imaginar. Vem e eu mostrar-te-ei.
Lentamente, avanço.
O frio da água em contacto com a minha pele faz-me tremer.
Será só frio?
Continuo a penetrar na água, sentindo o sol sobre mim.
Alcanço a barcaça e entro.
Sem um comando começa a avançar, Mar dentro.
Não sei onde me leva,
mas ao fascínio é impossível resistir!
Setembro 2002