O Fim de Muito Tempo

Sinto tanto a tua falta... a tua presença. O simples facto de saber que estás lá. Agora estás lá, mas eu estou cá e não há mais o aqui. A minha pele sente a falta da tua. Do leve roçar dos teus dedos pela minha cara, no abraço quente que me fazia sentir que estava de novo em casa. Os meus ouvidos não se habituam a este siêncio gritante da ausência das tuas palavras. Palavras essas que eram como chuva num dia quente de verão ou o sol num dia frio de inverno. Sabia que podia contar sempre contigo: com um sorriso, com um olhar, com um gesto ou com uma palavra. Apesar de nem sempre ser o que precisava, sabia que alguma coisa farias, para me levar para mis perto da felicidade.
O meu corpo chora num pranto pedindo o teu, com saudades da energia pura que nós eramos. Agora está frio e apagado, ansiando de novo pelo leve roçar da nossa carne.
Só a minha cabeça está sempre a ferver, com pensamentos que chcoteiam a minha alegria e o meu prazer pelas coisas. A minha alegria... simulo sorrisos e risos todo o dia, tentando contagiar-me por dentro, mas as gargalhadas não são as mesmas e os meus olhos não enganam, pois fixam o infinito, com esperança que o futuro me traga melhores dias.
Sinto uma tonelada sobre o meu peito, que o vai esmagando e faz o meu coração bater depressa, mas sem compasso, pois eras tu que davas ritmo à minha vida.
Entraste num barco à deriva e deixaste a nossa praia. Sinto a tua falta como a areia sente falta das ondas que a acariciam. Nada é igual e o sol já não se põe. Para mim, tudo agora é cinzento, pois eras tu o detentor da paleta de cores com que pintavas os meus dias - sinto falta do laranja dos nossos fins de tarde, do amarelo dos nossos dias de praia, do rosa dos nossos beijos num banco de jardim qualquer, do azul dum dia inteiro passado contigo, do vermelho das nossas noites, do preto das nossas zangas e do verde da certeza que tu tinhas do nosso futuro. Há muitos anos entrei num barco contigo, quando me disseste que tinhas a certeza que teríamos um porto seguro à nossa espera. Foi esta tua certeza tão certa que me fez remar, mesmo por entre as tempestades e as tormentas. Mas tu deixaste o barco e eu continuei... sozinha. Não acredito que chegue ao mesmo porto, pois só mar me rodeia e gritos de gaivotas que não me deixam desistir. Sei que o caminho só pode ser para a frente, mas agora não merece ser percorrido.
Vejo as horas a arrastarem-se ao longo do dia, mas tenho medo da chegada da noite e da sua fatídica justiça. Aí não tenho hipótese, não há para onde fugir. Não estás na minha cama e o meu corpo tem se esforçar por adormecer sem ti. Mas não repousa, pois espera que eu durma partir ao teu encontro, como se tudo fosse como dantes. Por isso regressa tão cansado pela manhã. Não tenho sonhado, pois eras tu que me fazias sonhar e ter vontade de sonhar.
Fechaste a porta e ficaste do outro lado, deixando-me sozinhae num quarto sem janelas. Não consigo fugir, nem de deixar de olhar a port, por onde passaste um último momento.
Sinto que a tua alma sente a falta da minha, pois afinal são gémeas. Não compreendem que lhes fizeram e choram incessantemente por um reencontro.

